Projeto oferece cirurgias e óculos a populações ribeirinhas da Amazônia

Há três décadas em atividade, o Programa de Oftalmologia Humanitária leva atendimento oftalmológico a populações ribeirinhas da Amazônia, oferecendo óculos, cirurgias de catarata e outros tratamentos essenciais. Além da assistência direta, o projeto é comprometido com a formação de novas gerações de profissionais da saúde.

Desde a criação, o programa envolve estudantes de medicina, residentes e pós-graduandos. Ao longo dos anos, essa estratégia resultou no surgimento de novos líderes que hoje atuam, assim como os fundadores do projeto.

CNN Brasil conversou com um dos responsáveis pela iniciativa, Rubens Belfort Junior, 80, que explicou como a ideia surgiu ao lado dos colegas Jacoh Cohen e Sérgio Vianna.

Segundo ele, o projeto é uma parceria entre o setor público e o setor privado e conta com o apoio da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), além de laboratórios e indústrias relacionadas à oftalmologia.

“Um dos objetivos desse trabalho desde o início é melhorar o acesso ao tratamento. A situação no Amazonas é crítica com relação a isso e com frequência, nós vemos pacientes que andam cerca de 12 horas de barco para conseguirem um óculos ou uma consulta oftalmológica”, pontua Rubens Belfort Junior.

Avanço em áreas remotas

Ao todo, mais de 10.000 pacientes já foram submetidos à cirurgia de catarata e mais de 110.000 óculos foram disponibilizados às populações atendidas. O idealizar acrescentou que a partir de fevereiro, o projeto irá até as áreas mais remotas da região Norte do Brasil, que percorre desde o norte do Acre até a cidade de Manaus.

Rubens Belfort Junior explica que os atendimentos são feitos a partir de uma parceria com os municípios locais e seus respectivos hospitais.

“Nosso objetivo é reforçar o Sistema Único de Saúde na região, que ainda é muito frágil. Nós não acreditamos que deva reforçar sistemas paralelos, nós precisamos de tudo que for possível no SUS e é isso que conseguimos com esse modelo operacional”, disse.

Seleção de profissionais

O grupo também conta com a participação de Walton Nosé e outros profissionais experientes, além de uma nova geração de oftalmologistas vindos da Amazônia, de São Paulo e de outras regiões do país. Segundo os organizadores, essa renovação garante a continuidade e a capacidade de adaptação do programa às realidades locais.

Rubens Belfort Junior ressalta que os voluntários são convidados a participarem do projeto e que mais de 200 profissionais já passaram pelo Oftalmologia Humanitária. “Nós convidamos os voluntários e as pessoas convidadas são estudantes das melhores instituições de Medicina”. Ele acrescenta que os mais velhos passam grande parte da experiência para os novatos do projeto.

“Os três líderes desse projeto, cada um de nós tem 80 anos. E nós fazemos todo o trabalho que tem que ser feito da mesma forma que os [profissionais] de 50, 40 ou 30. Então há pessoas desde 30 anos até 80 anos trabalhando juntos, durante o dia e trocamos muita experiência”, explica. “É uma corrente que inclui diferentes gerações”.

Fonte: CNN Brasil

Foto: Marcus Cohen/Divulgação

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